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Uma oficina de letras para tecer fios...Versos, textos, crônicas, poesias, citações e muito mais... 10월 9일 Anais NinHá no meu olhar uma ruptura por onde a loucura sempre escoa. ********************************************Anais Nin Dia excêntrico“... Acredito em um dia excêntrico, em que todos os beijos serão roubados e todas as lágrimas serão de sonoras gargalhadas, um dia em que todas as roupas serão de listas, estampas e cores vibrantes, um dia em que o sorvete terá mil sabores e todos eles serão para provar! Justamente aquele dia em que se lembrou de pagar todas as contas, as contas coloridas, as contas matemáticas, as contas baianas, as contas, as conchas, as coisas e aquele belo par de coxas, onde nem ligo se tem contas, conchas, ou outras coisas, melhor não ter nada mesmo, somente uma fina camada de perfume de “gente”, fragrância de mistério e essência de descoberta...” Raquel Berenguer – 09 de Outubro de 2009. 9월 18일 "Carpe Diem"“Nem sei mais se é o tempo ou todas as coisas que aprendemos, só que tudo ao redor, de um jeito meio estúpido deixa de ser como era antes, e então, no momento do agora vemos que nada do que mais amamos, vimos, valorizamos, mantivemos, cuidamos... Somente quando a água vai é que nos dá vontade de pular as ondas, então vemos o verde indo embora lentamente e no peito uma sensação de “quase”... Ainda bem, que outras ondas virão e quem sabe desta vez a apatia não dará lugar a alegria e possamos pular espumas, como crianças pulam corda??? Não deixe para colher o leite quanto as tetas já estão endurecidas e o gosto de azedo já se faz presente, quando temos vinte anos tudo parece tão eterno, e quando temos quarenta é que entendemos que cada minuto é um milagre... Então porque fingir que ainda temos tantas bobagens para gastar nos cartuchos dos nossos dias? "Carpe Diem" quer dizer "colha o dia". Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente. “ Raquel Berenguer, 18 de Setembro de 2009. 9월 10일 Sem sentido talvez...“Há em mim, uma tal contemplação, que não entendo, que não explico, que não empurra e nem suplica, apenas vê, vê com os olhos, vê com a alma, vê com a saudade, vê com o silêncio que acende a pira, que queima as imagens, que acinzenta as cancelas e que abre o mundo, um mundo velho e antigo, visto com estes novos olhos, parece até um mundo novo... É assim, reinventado e contemplando, sempre pra frente, nem sempre apressada, nem sempre decidida, mas, sempre andando... Penso que às vezes não importa muito a frase e sim o sentido que ela faz, talvez pra você não diga nada e seja um amontoado de loucuras desconexas, desculpe, é que pra mim faz todo sentido, principalmente hoje!” Raquel Berenguer, 10 de setembro de 2009. 12월 18일 Tempos estranhos...Tempos estranhos estes, onde as pessoas trocam smiles no MSN no lugar de beijos, e-mails no lugar de cartas perfumadas, scraps no lugar de conversas alegres, bate-papo nas salas de chat, no lugar de velhas histórias nas cadeiras em frente a nossa casa...
Trocamos as fotos dos álbuns de família, onde sentávamos ao redor e apontávamos sorrindo os momentos mais marcantes, por álbuns virtuais em formato jpeg.
Trocamos os afagos e os afetos através de celular, telefone e ramais, quando às vezes o que nos separa daquela pessoa é apenas a camada fina de uma divisória na cor branco gelo...
Tempos estranhos estes onde trocamos os amigos de verdade, dos momentos de sufoco e de agonias, das crises e choradeiras de dor de cotovelo, e dos momentos de bobeira e farras de risadas, por amigos secretos de final de ano.
Tempos estranhos estes que vivemos hoje em dia...
Não quero ser piegas ou exageradamente saudosista, mas, sinceramente, gostava mais, em alguns momentos, de outros tempos...
Raquel Berenguer, 18 de Dezembro de 2008.
11월 3일 Sem voz, sem vida, mas livre!...Então me vi sozinha, tão profundamente só, que somente para aquela que um dia foi capaz de ouvir o próprio silêncio ecoando ao seu redor é possível entender... Instigada, alfinetada, como um animal acuado em um canto, gotas de suor e de sangue escorrendo-lhe das articulações, das juntas, do canto da boca, da alma... Ferida, acuada, sozinha, grunhidos vindos do fundo da alma. Todos os navegantes, antes bravios, corajosos e dispostos a morrer por seu tesouro, ali, queixo erguido, mãos cerradas, braços cruzados, bocas cerzidas...
Então me vi sozinha, miseravelmente sozinha, em meio às frases desconexas e aos rumos contrários a todos os sussurros, os discursos vazios, sem cor, sem dor, dormentes em sua própria insignificância moral. Depois de toda aquela tortura a coragem era não revidar, não fazer eco a todas as hipocrisias, a todo o circo armado e o espetáculo montado na noite, às escuras, as espreitais, todo o discurso e os argumentos já haviam sido traçados, arquitetados, planejados. O óleo já fervia dentro dos caldeirões, e meu gemido, de nada adiantava, minha vontade de nada adiantava, minha dor, de nada adiantava...
Vejo o senhor de engenho de pé ao lado da cerca, vejo o feitor também de pé ao lado da mesma cerca, falam do negro escravo, os dentes do feitor trincam, seu chicote são as palavras ditas entre os dentes, o ódio em seus olhos, o fel em suas palavras e a sede de vingança em seus atos... “Aquele negro fujão não me obedece!...” e o senhor de engenho, não concorda, não discorda, não completa, nem cancela, apenas, silencia... Esse silencio atordoante, cúmplice eficaz da perseguição, da tortura e da maledicência do feitor, não apenas empurra sua mão no açoite, como também empunha a faca mordaz que corta a carne, a língua, a liberdade e o direito de ser “gente”, daquele negro, que acha que a cor de sua pele e a sua origem não são motivos para ser tratado como animal que “não obedece!”
O senhor que não pune a agressão do feitor, é tão culpado e maledicente como a mão do próprio feitor.
“Aquele negro fujão que não me obedece!...” vai continuar a achar que é gente, vai continuar a sonhar com a liberdade de ser quem é, de olhar o céu à noite e olhar o sol pela manhã... Porque podem tirar sua voz, sua vida, mais jamais tirarão a sua vontade e a sua liberdade de pensar, de conhecer e de saber...
Então me vi sozinha, moralmente sozinha, em acreditar que um mundo se falsos moralismos e sem discursos vazios, hipócritas, de jogo de cartas marcadas, seria possível...
Raquel Berenguer, Novembro, 03/2008
10월 29일 Traga o que beber...Sou poetisa e dou a luz aos meus verbos, Parindo-os hora por vontade, Hora por necessidade... Parindo-os hora pela dor, Hora pela contemplação... Em um momento minha poesia é seta, Em outros espasmos, Em mais alguns cíclicos cataclismos. Sou poetisa e dou a espaços aos meus verbos, Criando-os hora como pontes, Hora como abismos... Criando-os hora como cores amareladas, Hora como cinzentos temporais... Sou poetisa, Sou todas as partes ou lugar nenhum... Quando vier a minha casa traga seus próprios verbos, Tenho sede de beber em seus caminhos, Assim como você tem fome de comer meus escritos... Raquel Berenguer, Outubro, 29/2008. |
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